17 março 2010

Mãe acorrenta filho de 13 anos viciado em crack



Adolescente de treze anos é acorrentado no quarto pela mãe para tentar impedir que ele use drogas


desespero de uma mãe e da avó de um garoto de 13 anos, usuário de drogas, chegou ao limite. Para tentar evitar que o adolescente fuja de casa na busca do entorpecente, elas o acorrentaram no quarto da residência onde moram, na Vila Independência. Mesmo assim, ele conseguiu fugir cinco vezes. A última ocorreu sábado e ele voltou para casa somente na segunda-feira (15/03), completamente transtornado.

“Não me importo se serei processada, prefiro correr o risco, não sei mais o que fazer. Já teve gente vindo em casa atrás dele, jurando que iria matá-lo. Não sei o que ele fez, mas é um risco para as outras crianças. Quando está sem a droga, ele me ajuda na casa e é carinhoso com as irmãs. Drogado, ele procura por álcool, se não tem pega perfume, porque quer por fogo na casa e nas meninas. Fica alucinado e violento”, contou a mãe Josiane, 31.

Ela disse que o menino começou a usar drogas há um ano. Ele faltava da escola. Depois começou a vender tudo o que tinha dentro de sua casa. Máquina digital, batedeira, liquidificador, até as roupas das irmãs menores ele vendeu. Ele tem três irmãs, uma de sete anos e duas de 11. “Ele é conhecido na vizinhança, porque comete pequenos furtos. Hoje consegui recu)perar uma caixa de maquiagem de uma vizinha e o celular dela, que ele pegou para vender para comprar a droga”, contou a mãe.

Segundo a avó, a todo momento ele pede R$ 10,00. “A gente não dá e ele fica violento, chuta as portas, parte para agredir a mãe e sai gritando pela rua. Como os vizinhos sabem que ele usa droga, até hoje ninguém deu parte dele na polícia. Não quero que meu neto vá para a Febem. Ele não é bandido. Ele é doente. alguém precisa ajudar. Ele tem de ser internado”, disse a avó Isabel.

Há um ano ele passou pelo médico na rede pública. “Ele receitou remédio para acalmá-lo, mas mesmo cambaleando e babando ele fugia para comprar drogas. Ele misturou´ o medicamento com droga e quase teve uma overdose. Já ficou internado uma vez tomando soro, porque ele não come. Para tomar banho tenho que levá-lo ao banheiro e dar”, afirmou a mãe

INTERNAÇÃO. A mãe já tentou pagar uma clínica para que ele fique internado, mas não conseguiu o dinheiro R$ 950 e ele teve de sair. “Procurei outra, mas ele não quis ir”.

PROCESSO. Vendo todo o desespero, a avó procurou o Fórum há seis meses, pedindo a internação do neto. De acordo com o juiz da Vara da Infância, Rogério Pierre, se a família entrou com processo o caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público, ele não pode comentar porque há segredo de Justiça. “Está sendo obedecido o procedimento padrão. O problema é que às vezes o aparelho social não atende todas as necessidades dos casos. Em uma situação como essa, da mãe acorrentar o filho, muitos profissionais atuam e cada um tem uma conduta. Por mantê-lo acorrentado a mãe pode ser processada ou absolvida”.

fonte: UOL